segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Apenas eu

Apenas eu e nada mais. Ninguém mais.
Eu, embrulhada de presente e ao mesmo despida por essa vida, despida pelos sentimentos, pelas traições, pelas pessoas, pelas circunstâncias. Me deixei despir. Me olho no espelho e não gosto do que vejo. No hoje. Não sei no amanhã.
No hoje, vejo uma menina mulher, mutilada pelas mãos alheias, com seus sonhos estraçalhados a sua volta. Consegue ver? Consegue desembaraçar meus cabelos, por favor? Limpar minha maquiagem borrada? E limpar meu coração?
Conseguiria apagar essas lembranças que me machucam? Peço por favor. Consegue?
Me olhe. O que consegue ver, além de uma pele branca cheia de tatuagens e manchas? Consegue ver além dos meus olhos? Tipo, minha alma?
Me olha e me acha feia, né? Eu sei... Me daria uma flor? Eu me sentiria feliz. Melhor.
Escreveria uma música pra mim? Rezaria pra mim? Juntaria suas mãos nas minhas? Teria essa coragem?
Sabe essas correntes que amarram meus pés? Consegue ver? E as algemas que unem meus pulsos? Estão visíveis para ti? Então, há amor em você suficiente para remove-los? Gostaria de tentar?
Pegue aquele travesseiro, deixe eu deitar no seu colo. Leia algo para mim ou coloque alguma música. Me faça descansar, pois me sinto tão pesada... Faria isso por mim?
Me daria um pouco d'água? Me ensinaria a jogar cartas? Escovaria meus dentes? Acho que estou com febre. Te sirvo?
Pode ir. Sei que queres partir... Acostumei com indas e vindas.
Pode me deixar aqui acorrentada. Tudo bem.
Uma hora eu me penteio.
Uma hora eu me maquio.
Uma hora eu bebo água.
Uma hora eu me liberto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário