sábado, 29 de novembro de 2014

101 maneiras de conversar com Deus

Nossos dias estão cada vez mais complicados, estamos mais cheios de responsabilidades com nosso trabalho, família, escola e assim vai. O mundo e suas responsabilidades... Sentimos um peso enorme em nossas costas diariamente, acordamos com vontade de dormir, o trânsito, a buzina, o choro, o toque do telefone, os e-mails! Quanta coisa pra uma cabeça só! Parece que nossa mente vai dar um nó e iremos sucumbir, pois não estamos mais agüentando viver (ou seria sobreviver?) nesta selva completa de pedra. Qual a parte desse dia que conseguimos parar para falar com Deus? Aliás, você fala com Deus?
Eu falo, e falo das formas mais bizarras que você possa imaginar. O que me leva a fazer isso? Ou o que me leva a ser assim? Não importa a pergunta, pois a resposta é única: FÉ.
Fé de que, não importa como falo, sei que Ele me ouve.
Não estou aqui para colocar em pauta o seu credo, estou aqui para te apresentar as mais diversas formas de se falar com Deus através do livro “101 maneiras de conversar com Deus”  do Dandi Daley Mackall, que possuo na minha cabeceira da cama. Sabe aqueles livros que a gente compra naquelas livrarias das rodoviárias? Geralmente compramos livros que sejam compostos de contos, nada de histórias longas, pois não queremos nos prender a nenhuma história, vai que a viagem acaba e a história não, né? Melhor prevenir essa sensação ruim de uma história inacabada.
Crio situações mirabolantes para falar com Deus, falo com Ele em situações um pouco estranhas, como por exemplo, escovando os dentes. Logo ali, logo cedo, já começo meu dia conversando com Ele sobre as mais diversas situações que eu sei que irei passar durante o meu dia todo. Ou quando estou dentro do ônibus, passando por uma paisagem, imaginando que minha vida poderia ser uma novela e começo a questioná-lo das mais diversas formas. Óbvio que Ele nem deve me dar ouvidos para algumas banalidades que falo,  ainda mais com tantas coisas que Ele precisa resolver.  Mas não é gostoso saber que há alguém disposto a nos ouvir 24 horas por dia?
Tem uma dica neste livro que gosto muito, que é a seguinte:

“Faça alguma coisa fisicamente difícil. Corra, nade, levante pesos, ou,  durante um minuto, faça exercícios extenuantes, o mais rápido que puder. (Assegure-se de que seu médico não faça objeções!) Converse com Deus a respeito dos recursos não utilizados que foram concedidos em cada área de sua vida – o potencial para ser um pai mais amoroso ou um filho mais atencioso, a possibilidade de ser um profissional mais eficiente ou um amigo melhor. Abra-se para novas possibilidades”.

Falar com Deus não significa, somente, verbalizar seus anseios, seus medos, sonhos, e etc. Podemos falar com Deus através das nossas atitudes, através dos nossos pensamentos, através do nosso modo de vida, e isso independe do nosso credo.

“De volta à essência da vida. Limpe seus armários, a garagem ou o sótão. Livre-se das coisas que você não usa. Dê esses objetos de presente ou jogue-os fora. Quanto tiver feito isso, celebre com uma simples refeição de pão, queijo e frutas. Peça a Deus para ajudá-lo a viver uma vida livre e natural. E agradeça a Deus pelo pão de cada dia”.

Falar com Deus é uma tarefa simples. Não há regras, não há limites, muito menos hierarquias para serem respeitadas. Nosso acesso a Ele é direto e isso nos basta. Ele nos escuta, nos observa 24 horas por dia, sem parar e está sempre pronto para nos ouvir, sempre disposto a um diálogo.
Faça um teste. Comece um diálogo com Deus sem fronteiras, sem regras, sem um lugar e uma maneira exata. Use suas atitudes, seus pensamentos, seus sentimentos.
Nunca será uma experiência ruim dialogar com uma pessoa aberta a nos ouvir, não acha?

“Numa segunda-feira, peça a Deus que o torne mais flexível. Depois, durante o dia, peça sempre que puder e se disponha a aceitar qualquer mudança que Deus possa ter em mente. Mostre-se propenso a alterar a sua rotina ou seus planos para aquele dia: almoçar na companhia de alguém em vez de fazer isso sozinho, visitar um amigo doente em vez de ir diretamente para casa depois do trabalho, fazer uma caminhada em vez de assistir TV à noite. Tente permanecer sintonizado a toda hora, para receber orientação de Deus”.

Boa sorte!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Dói

Bater o dedinho do pé no rack dói. Prender o dedo na porta, também dói. Muitas coisas doem na gente. Doem no físico, doem na alma. Mas qual dessas dores toleramos mais? Não se sabe, até porque a dor não se mede. Quando ela vem, não importa por qual porta a deixamos entrar, ela vem atropelando tudo, pisoteando sonhos, estraçalhando planos, soltando lágrimas e fazendo arder nosso peito.
Por horas, achamos que não vamos suportar. O peito aperta, a cabeça parece que vai explodir e queremos apenas apagar. Deixar de existir. Pelo menos até a dor passar. Não é?
Suportamos o peso de traições, o peso das decepções, o peso do mundo. Meus caros, a verdade de tudo é que somos fortes. Queremos apagar, mas não conseguimos, ficamos ali, chorando e suportando até o sono nos levar, até um ombro amigo nos acolher, até Deus nos abraçar com seu infinito amor.
Isso não se discute.
Viveremos isso até o findar de nossas vidas, e digo mais: vamos aceitar para doer menos.

Os dias já andam tão tristes e difíceis, não vamos dar o peso desnecessário as coisas que não tem peso algum.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

A casa

Vai ser uma nova casa
Leve, calma, sem pesares
Vai ter verde, vai ter paz, vai ter som, vai ter coisa boa, paz
Vai ter silêncio, vai ter Pedrinho, vai ter luz e cor
Vai ter o que não consegui até hoje
Mas vai ter, faça chuva ou faça sol, porque aprendi que precisa ter
Vai ter boas noites de sono, excelentes manhãs
Vai ter sábados alegres e domingos de descanso
Sei que vão ter dias de solidão, mas esses serão dias de privacidade também
Vão ter dias de músicas altas e músicas baixas
Dias de rezas fortes e rezas brandas
Dias de calor intenso e dias de frio congelantes
Mas sei que todos esses dias serão somente meus
Todos preparados e reservados por Deus para mim
Após longos dias de espera
Vai ser uma casa nova
Vai ser uma nova casa.

E ponto

Eu te amo e ponto. Não se fala mais nisso, nem se cochicha, nem se sussurra, nem se nada, muito menos se esconde. Se escreve, se fala, balbucia, não mais silencia. Te amo e ponto. Chega de vírgulas, reticências, parênteses, aspas ou qualquer pontuação que não finalize essa afirmação.
Eu te amo. Ponto.
Não dá mais para amar duvidando. Não dá mais para ser "eu te amo?", muito menos "eu te amo...". A vida cobra, o tempo pesa e pede, então, eu te amo.
E ponto.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Caio, sempre e pra sempre Caio.

Caio F Abreu (Caio Fernando Loureiro de Abreu) foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro. Sua escrita é inconfundível, traz à tona o mundo moderno de uma forma dramática, angustiante e bem pessoal, abordando assuntos como sexo, medo e, principalmente, sua solidão. Caio é considerado um "fotógrafo da fragmentação contemporânea".

"Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas para te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende?".
Caio Fernando Abreu

E esse foi o primeiro trecho que ouvi sobre este grande homem por quem hoje sou completamente apaixonada. Esse trecho saiu da boca de um professor que eu tinha de artes cênicas. Ele fez todo esse texto, que se chama "Para uma avenca partindo". O meu favorito, dos muitos que o Caio já escreveu, sendo que em seguida vem o "Sapatinhos vermelhos".
Para uma avenca partindo... Partindo do princípio que avenca se trata de uma planta, o título passa longe de ser algo romântico ou de entregar que o texto seja algo que fala de algo do tipo, mas ele é simplesmente algo que nos entrega. Entrega toda nossa fraqueza ao dizer adeus. Sim, porque dizer adeus machuca, seja no antes, durante, depois. A palavra adeus já dói. Mas quando dizemos adeus, como diria Caio, queremos dizer na verdade a-deus: entregar à Deus aquilo que já não podemos mais cuidar. É lindo, é lúdico, porém dolorido.
Quando temos que dizer adeus, não conseguimos ter as palavras exatas e neste texto o Caio mistura exatamente esta confusão, todas essas incertezas das palavras, do sim, do não, das maçãs que levamos nas bolsas quando viajamos, do nosso desespero em falar tudo na última hora quando o ônibus está partindo levando dentro dele o nosso maior bem. Deixamos para a hora do adeus nosso desespero em mostrar nosso amor, nosso carinho, nossa preocupação, nossa importância. Já parou para reparar nisso?
Deixamos para a hora da partida a conversa sobre aquele dia em que viramos as costas e dormimos, quando na verdade teríamos que ter conversado. Choramos nossas mágoas ao travesseiro, quando deveríamos ter trocado palavras e resolvido todo mal entendido. Deixamos para a hora do adeus, para dizer o quanto éramos felizes nas manhãs de sábado quando íamos passear pelas ruas asfaltadas de São Paulo, mesmo sob a fina chuva, só para comer o pastel da feira. Ou até mesmo para dizer que eu queria tanto que você soubesse o quanto eu queria ser mais comunicativa, mas tinha medo de dizer além daquilo que você suportaria escutar, por medo de te perder.

"Sim, eu sei, eu vou escrever, eu vou escrever, eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, depois do ônibus partir eu quero lhe dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranquila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, porque você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo de uma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha para te dizer, olha, antes de você ir embora, eu queria te dizer quê". 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Pratique

Pratique o esquecimento, o desapego, o desassossego, o esquecimento da lembrança, a desesperança.
Vai te fazer bem e não vai mais te doer ao ler, ao ver, ao sentir, ao ouvir.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Apenas eu

Apenas eu e nada mais. Ninguém mais.
Eu, embrulhada de presente e ao mesmo despida por essa vida, despida pelos sentimentos, pelas traições, pelas pessoas, pelas circunstâncias. Me deixei despir. Me olho no espelho e não gosto do que vejo. No hoje. Não sei no amanhã.
No hoje, vejo uma menina mulher, mutilada pelas mãos alheias, com seus sonhos estraçalhados a sua volta. Consegue ver? Consegue desembaraçar meus cabelos, por favor? Limpar minha maquiagem borrada? E limpar meu coração?
Conseguiria apagar essas lembranças que me machucam? Peço por favor. Consegue?
Me olhe. O que consegue ver, além de uma pele branca cheia de tatuagens e manchas? Consegue ver além dos meus olhos? Tipo, minha alma?
Me olha e me acha feia, né? Eu sei... Me daria uma flor? Eu me sentiria feliz. Melhor.
Escreveria uma música pra mim? Rezaria pra mim? Juntaria suas mãos nas minhas? Teria essa coragem?
Sabe essas correntes que amarram meus pés? Consegue ver? E as algemas que unem meus pulsos? Estão visíveis para ti? Então, há amor em você suficiente para remove-los? Gostaria de tentar?
Pegue aquele travesseiro, deixe eu deitar no seu colo. Leia algo para mim ou coloque alguma música. Me faça descansar, pois me sinto tão pesada... Faria isso por mim?
Me daria um pouco d'água? Me ensinaria a jogar cartas? Escovaria meus dentes? Acho que estou com febre. Te sirvo?
Pode ir. Sei que queres partir... Acostumei com indas e vindas.
Pode me deixar aqui acorrentada. Tudo bem.
Uma hora eu me penteio.
Uma hora eu me maquio.
Uma hora eu bebo água.
Uma hora eu me liberto.

Flores

Me mande flores, não importa quais.
Não precisa enviar com cartão, se quiser enviar, não precisa escrever nada, pois saberei que foi você. Acrescente boas intenções, o que não será difícil pra ti. Encha de amor e de carinho. De respeito, que eu sei que você tem, e de sobra.
Se não quiser me mandar flores, pode me mandar qualquer coisa, menos bombons, pois já sabe que não gosto deles, rs. Mande algo que gosto. Mande livros, cd's, cartas, palavras, rascunhos, desenhos, fotografias. Eu aguardo, juro.
Alegre minha semana de alguma forma.
Me alegre, de algum jeito.
Sei que não sabe por onde começar, mas já sei que já passou por alguns começos. Recomece.
Recomeçar não é pecado e, às vezes, é preciso. Precisamos de chances, sejam elas quantas forem. Não acha?
O que pedimos é que sejam verdadeiras, reais e, acima de tudo, sensatas. De alma e coração. peito aberto e mãos estendidas.
Olhos abertos, mentes ao alto... É tão bom!
Esperamos todos os dias por recomeços.
Surpresas e novidades são boas, mas recomeços nos trazem lembranças boas. Chances de fazer tudo diferente. Com pessoas diferentes, em lugares diferentes, com sensações diferentes.
Mas as flores, elas não precisam ser iguais.
Elas nunca serão.
Mas os sentimentos... Ah, eles sim! Mudarão de tempos em tempos!
"Dai-me rosas e lírios"!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Por enquanto

A princípio são duas almas, cada uma com seu corpo e sua vida. Cada qual em seu canto. Por enquanto.

About last night...

Frio e mais frio na barriga. Não são borboletas, não! É frio mesmo!
Um emaranhado de palavras desconexas e uma vontade imensa de abraçar. E ser abraçada.
Seus olhos não param sob os meus e suas mãos me pareceram aflitas. Procuramos manter uma certa distância. Sim, é justo. Mas meu silêncio te perturba, te incomoda e você precisa mexer. Me mexer, e mexe.
Como pode isso? Poderia me explicar?
Não, não é amor. Não é tesão. Não sei o que é. Só sei que seus olhos não saem da minha mente e seu sorriso também não. Aliás, o som dele não pára de reverberar na minha mente. Luto para não chegar ao coração. Espero que eu consiga.
Duas almas, com suas vidas independentes. Nos encontramos por acaso, não era para ter sido, não era para ter acontecido. Não era para eu estar ali, mas de alguma forma eu estava.
Você diz que nossa hora vai chegar... Posso confessar? Estou ansiosa para saber como é te abraçar de verdade e receber um beijo seu, pois, por enquanto te dou bombons ao invés de beijos. Queria poder te dar os dois. Queria poder te dar minha mão, meu riso, uma água de côco, uma deitada na areia da para à noite para contemplar o céu. Este céu que você não vê e que quero que veja comigo.
Penso em você e sorrio. Acho que isso ainda é proibido... Né?
Mas posso fazer isso nem  que seja um pouco? Tenho precisado tanto sorrir e você se tornou um motivo tão agradável. Me deixa? Nem que seja por alguns minutos do meu dia.
Juro não esperar essa hora que você diz que teremos.
Mas juro fingir que não esperarei.
Ontem seus abraços me renderam sorrisos. Sorrisos solitários em meu quarto. Me deixei levar e você não tem culpa, nem nunca terá. É que foi tão bom te sentir mais perto, por segundos ouvir sua respiração e sentir seu coração. Ele bateu tão forte e lindamente.
Não posso me apaixonar. Não agora. Não Renata, não faça isso... Mas como não? Seus olhos, ao nos despedir pediram para que eu permanecesse na sua vida de alguma forma. Você sabe, eu sei, nós sabemos.
Haverá um certo silêncio da sua parte. Eu sei. Já previa. Mas eu precisava externar essa sensação maravilhosa que você me causou.
Queria poder te mostrar um monte de coisa! Um mundo diferente! Meu mundo! Meus livros, minhas canções, meus beijos, minhas histórias, meus medos. Poderei segurar sua mão sem medo que você a solte? É que já a soltaram tantas vezes que tenho medo...
Muita coisa passa pela minha cabeça neste momento, menos o dia dessa história nunca acontecer.
Permita-se, por favor.
Por um dia.
Por uma hora.
Por um segundo.
Por uma vida.


A janela

A primeira vez que peguei um livro, de verdade, não foi no jardim de infância nem no ensino fundamental. Senti o peso de um livro e de suas palavras quando li Estação Carandiru, do maravilhoso Drauzio Varella.
Nasci e morei em São Paulo até meus 21 anos de idade e, vez em sempre, estava andando de metrô para visitar familiares. Dessas muitas vezes, passava pela estação Carandiru do metrô e ficava encantada por aquele complexo penitenciário. Eu devia ter no máximo 12 anos, quando ficava me questionando o que acontecia ali dentro. Sei que ali habitavam pessoas perigosas (segundo meus pais), mas eu queria saber o que pessoas perigosas faziam, ou teriam feito para estarem ali.
Via suas roupas penduradas por aquelas minúsculas janelas e me perguntava como eles respiravam… Minha mãe evitava falar a respeito, mas eu a enchia de perguntas. Sempre. Era um encanto quando a voz da “moça do vagão” falava: próxima estação, Carandiru. Grudava meus olhos na janela para não perder nenhum detalhe. Procurava as entradas, as saídas, queria avistar o rosto de algumas dessas pessoas perigosas, a qualquer custo.
Quando fiquei um pouco mais velha, vi na prateleira de um amigo o livro que contava fatos sobre esse complexo penitenciário que tanto me instigava.
livrocarandiru
Tava ali, grosso, com uma capa sombria, letras pequenas e muitas, muitas folhas. Pedi ao meu amigo aquele livro emprestado, e ele prontamente disse que sim. Posso dizer que degustei cada folha…
Naquela época, o complexo já estava desativado e diziam que ali seria feito um parque de diversões, uma praça, algo do tipo. Me encantei por cada letra, cada detalhe que o Drauzio soube expor. Pra mim, tudo foi mágico, apesar de trágico. Através desse livro, pude ver como o ser humano pode chegar ao seu extremo, no quesito de se rebaixar mesmo. Promiscuidade, sexo, drogas, doenças, armas, guerras. Mas, por outro lado, entendia que eles não tinham muitas escolhas. A parte que mais me chamou a atenção foi a que fala sobre a chacina, na qual os policiais mataram boa parte dos presos. A troco de nada.
Fiquei impressionada com a frieza dessa atitude, mas não sabia mais para que lado torcer. Cada página que eu “comia” me fazia mudar de opinião. Acabava por me perder procurando saber quem seria o mocinho ou o vilão. Através da leitura deste livro, consegui ter uma visão um pouco diferente da vida atrás das grades (apesar de estar fora delas. Graças a Deus!). Sim, há amor, há compaixão, há saudade, há esperança e há dor. Muita dor.
Parei, um pouco, de julgar essas pessoas, não importando seu passado.
As páginas que li, que falavam sobre os cuidados que eles recebiam nas enfermarias nas situações mais precárias possíveis, me fizeram ver que eu tinha sorte. Ok, eu não tinha cometido nenhum delito para merecer estar ali, mas e aí? Somos humanos, farinha do mesmo saco, penso eu.
Diariamente, minha visão sobre o mundo muda. Um dia penso que algumas coisas são justas, no outro dia já quero mudar este quadro e sair nas ruas lutando pela igualdade social, não importando se você já teve ou não que respirar por uma daquelas janelas.
Escolhas. Tudo é questão de escolhas.
De certo, nenhum dos presos nasceu querendo ver o “sol nascer quadrado”, mas não souberam escolher por vê-lo lindo e radiante, nascendo e se pondo no final da sua rua, seja em um bairro chique ou em alguma periferia desse mundo.
Escolha saber escolher.
Use as armas corretas. Use o coração… Não acredite quando dizem que ele é enganoso. O mundo sim é. As pessoas são, mas o coração… Ah, o coração não.
Não me permito mais passar pelos lugares sem saber as coisas que desejo, seja por um complexo penitenciário ou por uma mente alheia.
Cutuco, investigo, leio. Curiosa que sou, vou atrás sem medo. Devoro páginas, leio legendas, desmistifico reticências.
Me recuso a viver, e a ver, a vida através de pequenas janelas impostas por mim, ou mesmo por você.
Afinal, somos seres do mesmo meio.
Resultado do mesmo projeto.
São as escolhas que nos fazem diferentes.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

E foi...

E foi.
Você se foi... De vez.
Cada dia mais distante, mas desta vez criou-se um imenso muro entre nós. Tentei não chorar, mas foi inevitável. Mas confesso que não chorei o bastante, na verdade, não chorei o quanto eu esperava.
Seus caminhos se tornaram tortuosos, avesso aos meus. Não te alcanço mais. Joguei a toalha, mesmo.
Não lutarei mais comigo todas as noites, imaginando como seria ao te ver.
Te vi. Nos vimos. Silêncio.
Não esbocei nada. Não tive vontade e logo após sua partida, constatei que meu silêncio não foi infundado. Eu sabia, de alguma forma, eu sabia. No fundo a gente sempre sabe e naquele dia eu sabia, de alguma forma, que eu não fazia parte dos seus pensamentos. Agora me encontro apenas em sua memória, com uma placa escrito "incrível". Não é essa a palavra que você usa para me descrever à terceiros?
Obrigada.
Fui o que pude ser, e foi uma pena você não poder ter sido o mesmo pra mim. Nem mesmo após o pós.
Agora me sento aqui, reorganizo pensamentos, planos e afogo a saudade, afinal ela só serve para arrancar minhas lágrimas.
E assim foi.
Nunca mais será.
E o ponto final foi dado. Sem virgulas, sem aspas, sem reticências. Ponto.

domingo, 2 de novembro de 2014

Coragem

O que lhe falta é coragem. Coragem de quebrar esse silêncio, coragem de dizer a verdade, coragem pra assumir seus erros, seus atos, suas inconsequências. Eu sempre havia dito que quando eu esparramo, não junto mais. Não sei porque você nunca botou fé. Deve ser porque eu sempre fiz questão de apaziguar tudo, sempre abracei a cada porrada recebida, sim, pois certas palavras soam como boas e belas porradas. Me perdoem o linguajar, mas tem coisas que necessitam de palavras fulas para ser compreendidas.
Covardia em excesso. Medo? Tanto faz.
Se esconde atrás de um silêncio que diz muito mais que mil palavras. Eu sei e ouço.
Não espero que você me apareça montado num cavalo branco, trazendo consigo um par de alianças me jurando fidelidade e amor eterno. Não mais. Foi-se a época. Coração é terra que ninguém quer pisar, pelo menos no meu, pois você deixou pedras e espinhos e estou terminando o processo de limpeza, para que outro amor nasça.
Quando tiver coragem de quebrar esse silêncio, talvez eu não queira mais entender.
Vou te mandar pra puta que te pariu. Você, seu cavalo e suas alianças.

sábado, 1 de novembro de 2014

Estranha liberdade

Minha vida é algo livre. Coisa livre, de liberdade mesmo, de nada nem ninguém. Sem correntes em forma de abraços. Ela é verdadeira, mesmo dentro de suas falsidades, fatalidades e casualidades.
Tudo é calmo, é tranquilo e agitado. Entro e saio de onde eu quiser, quando quiser, da forma que eu achar melhor. Abraços já não me aprisionam mais, nem beijos me iludem. Nada mais me prende. Nem lagrimas, nem carinho, nem mentiras, nem traições. Pego meu mundo e o jogo nas minhas costas. Caio por este mundo a fora. Caio na vida e faço trocas. Boas trocas. Faço o melhor e o pior para ficar de pé. E quem não faria?
Sou livre! Hoje aqui, amanhã ali e quem recebeu meu melhor e pior, já nem sabem mais quem sou.
A liberdade as vezes me traz esquecimento e isso me dói. Mas, ai me lembro de esquecer da dor e tudo passa a ser mais fácil. Liberdade tem um preço. Eu pago. Bem pago. Se pago!
Não lanço mão do meu mundo, dos meus desejos. A vida que carrego nas costas, carrega consigo o que tenho de mais valioso: o amor que aprendi a ter pela liberdade.
Amo o que é e o que não é meu. E mesmo assim, amando ou não, deixo tudo livre, pois estes não posso carregar comigo, além de suas lembranças na memória. Pois estas sim, jamais serão aprisionadas nem se eu quisesse, apesar de ser toda minha.
Nem se eu desejasse, amasse, amargasse por demais esta possibilidade... Não mais! Não mesmo! Nunca mais!
Liberdade te dá essa coragem. Coragem do não, do talvez não, do talvez sim, vem pra mim, mas me deixe assim que eu te pedir, não me deixe exigir.
Mais que pássaro livre. Mais que a mim. Mais que mais, não deixa de ser a mais pura verdade. O fato de eu amar e me perder, com toda essa minha liberdade.

A espera

Todo mundo hoje  em dia vive na espera de algo, seja uma promoção no trabalho, reconhecimento nos estudos, reconhecimento nos esforços diários, reconhecimento de um amor. O mundo espera um governo mais justo, espera mais chuvas, menos crises, menos tudo de ruim e mais das coisas boas.
A sensação de espera não é fácil. A cabeça pira, o coração acelera, ficamos impacientes a cada segundo que se passa e nada do que esperamos acontece.
Cada espera tem um peso sobre nós. Há quem consiga esperar por dias, meses e anos, mas há aquelas que pessoas que não suportam a espera de um minuto.
O relógio parece ficar de mal conosco, as circunstâncias parecem não nos favorecer. Desmoronamos a cada "não", a cada " talvez ", a cada tudo aquilo que nos faz sentir impotentes. O mundo esta pedindo agilidade diariamente e costumamos adotar a frase " não tenho tempo suficiente".
O que é não ter esse tempo?
O que você tem feito para que tudo seja a seu favor?
Qual tem sido seu esforço?
Esperamos sentados por mais ar, mais água, mais amor. Aguardamos por mais paz. Levantamos a bandeira branca e dizemos que perdemos, e por muitas vezes o tempo só te pedia um pouco mais de paciência.
A atualidade nos tornou pessoas imediatistas e isso traz um peso muito grande para nossa mente e coração. Não aguentamos por muito tempo os ponteiros do relógio ultrapassarem um ao outro, dia após dia...
Mas talvez tenhamos que ter essa consciência logo, rápido, ou colocaremos em risco nossos planos e sonhos. Vamos destruir antecipadamente coisas boas que o destino nos reserva.
Qual seu grau de paciência atual?
Conseguiria esperar algo que tanto deseja?
A espera vale a pena; muita das vezes.
O que é bom não vem fácil, não vem pronto, não vem perfeito. Tome essa nota.
Tenha paciência para moldar consequências, pessoas e atitudes.
Talvez o mundo se torne menos tenso e ai sim, seus sonhos, planos e projetos terão uma grande chance de se concretizarem.
Viver nesse mundo não significa que você precisa ser igual a esse "todo" mundo.
Aguarde e verás.