Mulheres amadurecem mais rápido – essa afirmação parece ter ganho um status de verdade absoluta que faz com que o universo feminino se vanglorie de certo prestígio quando se fala em lidar com emoções. No entanto, não é preciso procurar muito para encontrarmos mulheres sofrendo desnecessariamente e por isso esse conceito merece uma revisão.
De fato, mulheres são educadas desde
cedo a serem mais interiorizadas e os homens mais exteriorizados. Por
exemplo, quem nunca viu a cena de uma menina ser reprimida com um grito
de “fecha essa perna e esconde isso aí”, enquanto o menino que expõe seu
projeto de instrumento ganha risos simpáticos da família seguido de um
“que bonitinho, ele adora colocar o pipi pra fora!”.
Acontece também em diversos outros
casos. Quando um conflito aparece na vida delas, as meninas são
ensinadas a esperar, calar, relevar e dialogar, enquanto que os meninos
são instigados a brigar, criar caso, não levar desaforo para casa.
Meninas desde cedo são treinadas pra terem uma higiene exemplar, além de
serem logo apresentadas para seu companheiro de vida – o
ginecologista. Os homens, só descobrem que tem um corpo ou pensam nele
(cuidando da saúde e não estética), quando broxam ou estão com câncer de
próstata aos 45 anos, depois de se recusarem por anos a fio a permitir
que alguém lhes tocassem a porta dos fundos. Em materia de sexo, os pais
inibem as meninas a terem fins-de-semana livres com o namorado numa
viagem de praia ou voltar de madrugada para casa (como se as pessoas não
transassem de tarde no quarto de casa durante a semana). Os meninos são
incentivados a conhecer o mundo sem limites e cair na gandaia.
Mulheres mais reflexivas, homens mais realizadores, é o que somos levados a pensar.
O fato de que homens são incentivados
desde cedo a ter ambições financeiras ou serem bons nos esportes não os
torna exímios administradores ou esportistas olímpicos. Portanto,
o fato de mulheres estarem mais em contato com seus sentimentos desde
cedo não as tornam gênios na arte de lidar com as emoções. Elas
lidam mais com as emoções, isso é fato, mas não quer dizer que lidem
melhor com emoções, assim como os homens não lidam melhor com
matemática. Inteligência emocional ou maturidade psicológica não é
privilégio de nenhum dos gêneros, mas sim das pessoas que buscam
desenvolver uma certa sabedoria de vida.
1. Se sentir saciado com aquilo que experimenta.
2. Reconhecimento dos limites e possibilidades da vida.
3. Equilíbrio entre espírito colaborativo e competitivo.
4. Atitude positiva, sem reclamação, queixa ou passividade.
5. Lidar com sentimentos negativos como se não fosse um problema em si, mas apenas como sentimentos que podem ser experimentados e ressignificados.
6. Saber ter medo, ansiedade, raiva, culpa e desilusões sem se fechar em uma casca de mil tentativas para tentar evitar qualquer dor.
7. Abertura para o novo.
8. Flexibilidade diante dos impasses.
9. Questionamento constante (mas não obsessivo) da vida.
10. Capacidade de aprendizado contínuo com as experiências que viveu.
11. Inteligência, ou capacidade de articular soluções viáveis de forma criativa e prática.
12. Capacidade de cativar e inspirar respeito nas pessoas.
13. Capacidade de envolvimento e entrega amorosa.
14. Generosidade para dar e receber sem exceder os limites pessoais e dos outros.
15. Reconhecer o outro como outro ser humano sem estigmatiza-lo em clichês mentais.
16. Administra suas carências e necessidades sem exigir que os outros as atendam.
17. Pró-atividade
18. Ponderar o melhor momento para agir ou aguardar.
19. Saber relevar ou se desapegar daquilo que está além do seu alcance.
20. Comprometimento com ações e não fantasias sobre a vida.
21. Estabilidade nas reações internas.
22. Prioriza a experiência para além do resultado.
23. Segurança na forma de agir, falar e se relacionar como fruto de uma tranquilidade pessoal.
24. Presença de espírito, fazer o que deve ser feito.
25. Cuidado consigo mesmo incluindo saúde física, emocional, espiritual, social e financeira.
Quando você lê essa lista de qualidades de maturidade emocional consegue perceber isso com mais frequência em mulheres do que em homens?
O que eu tenho notado é que ambos estão
perdidos em certo egocentrismo e têm muito o que caminhar independente
do gênero. As maneiras que uma mulher pode se mostrar infantil só são
mais encobertas do que os homens, nem mais ou menos nocivas ou intensas,
apenas diferentes. Ignorando esse fato, muitas mulheres acabam fazendo grandes besteiras nos relacionamentos porque se acham emocionalmente superiores.
O fato de uma mulher querer discutir uma relação não a torna superior
ao homem. Se a qualidade do questionamento dela for infantil, no meu
entendimento, dá no mesmo falar ou ficar em silêncio.
Eu mesmo já me relacionei com mulheres
que se achavam mais maduras emocionalmente até eu identificar uma meia
dúzia de contradição naquilo que diziam, o que as fazia perceber que
elas estavam no mesmo pé de igualdade. Os homens não são muito bons em
lidar com emoções, com as mulheres isso não é diferente. Tem alguma
dúvida? Faça uma análise da lista acima e veja quanto dos 25 itens você
domina com maestria.
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