sexta-feira, 22 de junho de 2012

Resposta ao tempo - Nana Caymmi

Ai meu coração, Nana...


Resposta ao Tempo

Nana Caymmi

Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei
Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei
E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro sozinhos
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer
No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sem estado de espírito. Sem espírito.

A vida é uma farsa que toda a gente se vê obrigada a representar...

 "'Fui eu que o fiz', diz a minha memória. 'Não posso ter feito isso', - diz o meu orgulho e mantém-se inflexível. Por fim - é a memória que cede"

 A aceitação da dor é o primeiro passo para suportá-la, caso contrário, o pessimismo, a impaciência e a intolerância, poderá transformá-la num fardo alem de suas forças.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dia dos Namorados - Origem e história.

O Dia dos Namorados é uma data comemorativa, não oficial, destinada aos casais de namorados, pretendentes e apaixonados. É tradição a troca de presentes, bombons e cartões com mensagens de amor entre namorados ou pessoas que se amam. Aqui no Brasil, esta data é comemorada em 12 de junho. Em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo, a comemoração ocorre em 14 de fevereiro (Dia de São Valentim – Valentine’s Day).

História da data (14 de fevereiro) - Origem do Dia de São Valentim

A comemoração desta data remonta o Império Romano. Um bispo da Igreja Católica, São Valentim, foi proibido de realizar casamentos pelo imperador romano Claudius II. Porém, o bispo desrespeitou a ordem imperial e continuou com as celebrações de matrimônio, porém de forma secreta. Foi preso pelos soldados e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, recebeu vários bilhetes e cartões, de jovens apaixonados, valorizando o amor, a paixão e o casamento. O bispo Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro do ano 270.

Em sua homenagem, esta data passou a ser destinada aos casais de namorados e ao amor. A comemoração passou a ser realizada todo 14 de junho, principalmente, na Europa e, posteriormente (século XVII), nos Estados Unidos.

História do Dia dos Namorados no Brasil (12 de junho)

No Brasil, a data apresenta uma história bem diferente, pois está relacionada ao frei português Fernando de Bulhões (Santo Antônio). Em suas pregações religiosas, o frei sempre destacava a importância do amor e do casamento. Em função de suas mensagens, depois de ser canonizado, ganhou a fama de “santo casamenteiro”.

Portanto, em nosso país foi escolhida a data de 12 de junho por ser véspera do dia de Santo Antônio (13 de junho). Assim como em diversos países do mundo, aqui também é tradição a troca de presentes e cartões entre os casais de namorados.

O Dia dos Namorados nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos o dia dos namorados é chamado de Valentine’s Day. Celebrado em 14 de fevereiro, a comemoração é feita de uma forma diferente da brasileira. Nos Estados Unidos a data é comemorada, principalmente, por namorados, casais casados, noivos, amigos e pessoas que se amam (entre pais e filhos também é comum). Os que se amam demonstram, nesta data, todo seu amor através da troca de cartões, flores, chocolates e presentes. Os cartões costumam ser confeccionados pela própria pessoa, o que dá um toque bem criativo e pessoal a data.

Onde foi parar o amor? - Por Daniel Oliveira

A gente ouve o tempo todo que casar por amor é uma péssima ideia e que o sexo tem que ser bom para conseguir sustentar uma relação. Isso converge com a ideia de que a nossa Era, dita “moderninha”, é apressada e as pessoas não tem mais tempo para criar laços muito profundos, nem se apaixonar, se é que isso ainda existe no pensamento contemporâneo das grandes cidades. Quando a gente vira e diz que é ingenuidade pensar em amor, a gente acaba por se proteger (e por descartar) a ideia de que amor existe. Para conquistar uma liberdade sexual que era necessária e uma ideia de atitude onde ser esperto é o que importa, a gente modificou um bando de valores e sentimentos. Ou pior: a gente deixou isso tudo para trás.
Outro dia desses, num papo sobre traições e como o diálogo sobre sexo ainda é um grande tabu e uma barreira para casais atualmente, uma leitora me chamou a atenção para o fato de que a gente costuma dar crédito ao sexo pelos problemas de um relacionamento. Fica bem óbvio que relacionamento nenhum se sustenta só com carinho e afeto, mas com boas doses de paciência, entendimento, confiança e condições materiais que possibilitam uma união, seja ela oficial ou não. Só que isso me fez pensar sobre como a gente anda construindo relações mais vazias em prol do exercício da liberdade sexual. Parece que, quanto mais a gente luta pelo direito de fazer o que quiser no sexo, mais a gente acaba se esquecendo de que o nosso objetivo era melhorar uma parte da relação que era oprimida. Sexo tem relação direta com prazer físico, com intimidade, com parceria e procriação. Mas também faz parte dessa coisa bacana que a gente acredita ser o amor.

E daí a gente acaba por pensar: e se aquela guria bacana que a gente conheceu e anda saindo não for tão boa de cama assim? Então não vale a pena considerar o resto? Será que o sexo numa relação assumiu uma proporção em que ele importa mais do que outros fatores como a sensação de amar alguém e a luta diária de um casal para manter esse sentimento vivo? Acho que a nossa geração acabou por fazer a coisa errada. Em vez de transformamos os valores obsoletos que oprimiam a questão sexual e deixavam lacunas em aberto numa relação, nós deixamos coisas serem perdidas pelo caminho e construímos outro tipo de valor. O valor sexual que se sobrepõe aos outros. As pessoas se tornaram obcecadas pela alta performance na cama em vez de um papo interessante, pelo tamanho do pau do cara em vez do caráter dele, pelo entendimento completo do Kama Sutra em vez de tentar entender o outro. Construímos relações que se esgotam na cama e que não saem mais dela. A gente trocou a busca por amor – talvez fantasiosa e ingênua – pela busca pela satisfação sexual, que é competitiva e selvagem, onde quem deixa a desejar não tem vez.
Pode ser exagerado pensar assim e considerar que a gente não tenha obtido um equilíbrio até hoje. Mas a verdade é que o amor em si foi deixado de lado e se perdeu em meio a tantas buscas. Amor mesmo, esse sentimento clichê e piegas que todo mundo recrimina quando o outro fala, mas busca interna e intensamente. Amor que foi trocado pela adrenalina e diversão do sexo. E, à leitora que me fez ver o outro lado da moeda, eu deixo a resposta do título: o amor foi parar em algum lugar no qual muita gente ainda não conheceu, mas ele está por aí. Um dia a gente esbarra nele de novo e descobre que ele também é gostoso e dá prazer. Um dia a gente retoma a busca e encontra algum equilíbrio. Nem se for pra concluir que cada um é que decide como regular a balança numa relação.

22 coisas que você pode fazer hoje pra deixar sua mulher mais feliz.

Esqueça a jóia cara, a conta bancada na balada de playboy, o jantar naquele bistro francês que (se não fosse passar vergonha) adoraria parcelar em três vezes. Homem que é homem não se contenta em estar com uma mulher que pode ser comprada com um sapato caro ou com uma bolsa da gringa. Isso é muleta pros frouxos, prós covardes, que não conseguem conquistar nada na vida sem a presença do dinheiro. Ganhar com dinheiro é fácil – ganhar pelas atitudes, meu amigo, é o desafio que premia os melhores com as mulheres mais especiais. Por mais que muita mulher deteste assumir, todo ser do sexo feminino ama uma sensibilidade, uma sutileza, uma delicadeza. Ela pode ter amado ganhar aquele livro mas se, ao abri-lo, se deparar com uma página branca, sem nenhuma palavra escrita por você, o presente perde a metade da graça. Por isso, na coluna de hoje, resolvemos dar uma força para os machos de plantão – aqueles bem intencionados, porém com a sensibilidade digna de um ogro – que estão em busca de uma mulher legal, mas que falham em todas as tentativas. Porque, muito provavelmente você não saiba que a solução para os seus problemas está em atitudes tão simples que podem até parecer ridículas. Fizemos uma pesquisa com leitoras do Casal Sem Vergonha, perguntando quais as coisas simples que elas adorariam que seus namorados fizessem HOJE – ou seja, selecionamos somente coisas simples, que exigem pouco dinheiro e esforço, pra não ter desculpa nem dificuldade – e as listamos aqui para vocês:
1. Esconder alguns post-it com mensagens fofas no meio dos pertences dela, para que ela vá achando-os aos poucos, durante o dia;
2. Pegar ela de surpresa no trabalho e a levar pra tomar um café num lugar gostoso;
3. Entrar no banheiro na hora em que ela estiver tomando banho e começar o sexo ali mesmo;
4. Esperar ela ir se deitar e chegar com um hidratante, dizendo que hoje é o dia de sorte dela pois ela irá receber aquela massagem dos deuses;
5. Se concentrar pra observar detalhes nela – aqueles que nem você tinha reparado ainda – e elogiá-los;
6. Alugar aquele filme romântico que ela tinha comentado que adoraria assistir e chegar na casa dela com o filme e com um vinho (uma vez na vida não mata, ok?);
7. Deixar um recado escrito no espelho pra ela;
8. Mandar um SMS no meio do dia com uma mensagem sincera pra ela;
9. Comprar uma caixa de chocolates e – dentro – colocar uma cartinha escrita por você;
10. Levar café na cama – mesmo que seja café com leite e pãozinho com requeijão;
11. Um SMS dizendo pra ela se arrumar que você vai passar na casa dela pra fazerem um programa juntos (daí use sua criatividade);
12. Dar de presente um pendrive com músicas que te fazem lembrar de vocês;
13. Fazer uma sessão demorada de sexo oral nela e dizer que hoje você não precisa de recompensa;
14. Acordá-la dizendo coisas sinceras no pé do ouvido;
15. Dar pra ela um livro que você já tenha lido e que ache que ela vai gostar – claro, com uma mensagem escrita à mão na contra-capa;
16. Chamá-la pra fazer um piquenique no parque num sábado desses de outono;
17. Passar no trabalho dela de surpresa para almoçarem juntos;
18. Se vocês moram junto, fazer faxina na casa ou (pagar alguém pra fazer) e surpreendê-la com a casa limpinha quando ela chegar da rua;
19. Mandar um SMS de madrugada dizendo que está com saudades;
20. Mandar lavar o carro dela;
21. Se ela estiver de TPM, correr pra cozinha pra fazer um brigadeiro de panela;
22. Fazer um jantar pra ela, mesmo que seja simples (não venha com essa de não sei cozinhar – na internet tem milhares de sites com receitas simples. Leia e replique, difícil?)
(se você acha que isso tudo é besteira, contente-se em passar o resto da vida falhando ao tentar impressionar as mulheres).

Mulheres são mais maduras que os homens - Você realmente acreditava nisso?

Por Frederico Mattos

Mulheres amadurecem mais rápido – essa afirmação parece ter ganho um status de verdade absoluta que faz com que o universo feminino se vanglorie de certo prestígio quando se fala em lidar com emoções. No entanto, não é preciso procurar muito para encontrarmos mulheres sofrendo desnecessariamente e por isso esse conceito merece uma revisão.
De fato, mulheres  são educadas desde cedo a serem mais interiorizadas e os homens mais exteriorizados. Por exemplo, quem nunca viu a cena de uma menina ser reprimida com um grito de “fecha essa perna e esconde isso aí”, enquanto o menino que expõe seu projeto de instrumento ganha risos simpáticos da família seguido de um “que bonitinho, ele adora colocar o pipi pra fora!”.
Acontece também em diversos outros casos. Quando um conflito aparece na vida delas, as meninas são ensinadas a esperar, calar, relevar e dialogar, enquanto que os meninos são instigados a brigar, criar caso, não levar desaforo para casa. Meninas desde cedo são treinadas pra terem uma higiene exemplar, além de serem logo apresentadas para seu companheiro de vida – o ginecologista. Os homens, só descobrem que tem um corpo ou pensam nele (cuidando da saúde e não estética), quando broxam ou estão com câncer de próstata aos 45 anos, depois de se recusarem por anos a fio a permitir que alguém lhes tocassem a porta dos fundos. Em materia de sexo, os pais inibem as meninas a terem fins-de-semana livres com o namorado numa viagem de praia ou voltar de madrugada para casa (como se as pessoas não transassem de tarde no quarto de casa durante a semana). Os meninos são incentivados a conhecer o mundo sem limites e cair na gandaia.
Mulheres mais reflexivas, homens mais realizadores, é o que somos levados a pensar.
O fato de que homens são incentivados desde cedo a ter ambições financeiras ou serem bons nos esportes não os torna exímios administradores ou esportistas olímpicos. Portanto, o fato de mulheres estarem mais em contato com seus sentimentos desde cedo não as tornam gênios na arte de lidar com as emoções. Elas lidam mais com as emoções, isso é fato, mas não quer dizer que lidem melhor com emoções, assim como os homens não lidam melhor com matemática. Inteligência emocional ou maturidade psicológica não é privilégio de nenhum dos gêneros, mas sim das pessoas que buscam desenvolver uma certa sabedoria de vida.

Pra exemplificar, eis alguns traços (entre tantos) indicam que uma pessoa é emocionalmente madura:
1. Se sentir saciado com aquilo que experimenta.
2. Reconhecimento dos limites e possibilidades da vida.
3. Equilíbrio entre espírito colaborativo e competitivo.
4. Atitude positiva, sem reclamação, queixa ou passividade.
5. Lidar com sentimentos negativos como se não fosse um problema em si, mas apenas como sentimentos que podem ser experimentados e ressignificados.
6. Saber ter medo, ansiedade, raiva, culpa e desilusões sem se fechar em uma casca de mil tentativas para tentar evitar qualquer dor.
7. Abertura para o novo.
8. Flexibilidade diante dos impasses.
9. Questionamento constante (mas não obsessivo) da vida.
10. Capacidade de aprendizado contínuo com as experiências que viveu.
11. Inteligência, ou capacidade de articular soluções viáveis de forma criativa e prática.
12. Capacidade de cativar e inspirar respeito nas pessoas.
13. Capacidade de envolvimento e entrega amorosa.
14. Generosidade para dar e receber sem exceder os limites pessoais e dos outros.
15. Reconhecer o outro como outro ser humano sem estigmatiza-lo em clichês mentais.
16. Administra suas carências e necessidades sem exigir que os outros as atendam.
17. Pró-atividade
18. Ponderar o melhor momento para agir ou aguardar.
19. Saber relevar ou se desapegar daquilo que está além do seu alcance.
20. Comprometimento com ações e não fantasias sobre a vida.
21. Estabilidade nas reações internas.
22. Prioriza a experiência para além do resultado.
23. Segurança na forma de agir, falar e se relacionar como fruto de uma tranquilidade pessoal.
24. Presença de espírito, fazer o que deve ser feito.
25. Cuidado consigo mesmo incluindo saúde física, emocional, espiritual, social e financeira.
Quando você lê essa lista de qualidades de maturidade emocional consegue perceber isso com mais frequência em mulheres do que em homens?
O que eu tenho notado é que ambos estão perdidos em certo egocentrismo e têm muito o que caminhar independente do gênero. As maneiras que uma mulher pode se mostrar infantil só são mais encobertas do que os homens, nem mais ou menos nocivas ou intensas, apenas diferentes. Ignorando esse fato, muitas mulheres acabam fazendo grandes besteiras nos relacionamentos porque se acham emocionalmente superiores. O fato de uma mulher querer discutir uma relação não a torna superior ao homem. Se a qualidade do questionamento dela for infantil, no meu entendimento, dá no mesmo falar ou ficar em silêncio.
Eu mesmo já me relacionei com mulheres que se achavam mais maduras emocionalmente até eu identificar uma meia dúzia de contradição naquilo que diziam, o que as fazia perceber que elas estavam no mesmo pé de igualdade. Os homens não são muito bons em lidar com emoções, com as mulheres isso não é diferente. Tem alguma dúvida? Faça uma análise da lista acima e veja quanto dos 25 itens você domina com maestria.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Eu preciso saber...

A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber
Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama. Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspecão noturna.
Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem "me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo". Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada
Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.
São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e machucando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque já são sete e meia da manhã, vou resolver isso. Agora preciso dormir só um pouquinho
Volto pra cama. Coração disparado. Não tem posição na cama. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Aquelas outras coisas que se faz pra acalmar tô com preguiça agora, minha imaginação está indo toda para traçar um plano para que eu descubra. Descubra o quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto. Sim! A cartomante!
Ligo pra Zuleide. Você atende hoje? Mas é domingo, Tati! Atende? Só se for por telefone. Tá bom, então joga aí: ele está com alguém? Mas Tati, você quer mesmo saber isso? Quero, mulher. Eu preciso saber. Joga aí: ele está com alguma puta? Tati, eu não posso perguntar isso pras cartas. Pergunta aí: ele tá com alguma piranhuda desgraçada vagabunda vaca dos infernos? Zuleide pede desculpas e desliga. Preciso do Lexapro mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente
Você acha que ele está com alguém? Não sei, Tati, eu ainda tô dormindo, posso te ligar mais tarde? Você acha que ele está com alguém? E se estiver, Tati, quer ir ao cinema mais tarde? Você acha que ele está com alguém? Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? Você acha que ele está com alguém? Tati, do jeito que ele gostava de você? Claro que não!
Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Terminamos não terminamos? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim, certo? Eu não tava bem com ele e nem ele comigo, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta.
Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, lambendo a virilhazinha de alguma desgraçada? Qual o problema? Ok, eu posso morrer. Eu definitivamente posso morrer. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.
Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro. Considerando que ele não mora em São Paulo, não sei exatamente o que eu pretendo com isso. Mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás da verdade. Na verdade vou só na casa de outro, preciso fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. O outro não conhece Black Swan, não ri da história da Zuleide, não me aperta o braço.
Volto pra casa, destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso explodir e bolhas de corações vermelhas atingiriam o Japão. Quase não consigo respirar. Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende falando baixinho. Você está com alguém? Estou. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitacões, descargas de adrenalina, músicas, textos, amigos, danças, gritos, sensações, assuntos, choros, dores, vida. Agora eu já sei.
O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber.

Intimidade é muito mais que ficar pelado...

Não é o cinema acompanhado, as noites de sábado com programa garantido, o sexo quando der vontade. Não é ter alguém pra chamar de seu, não são as mensagens de bom dia, muito menos alguém pra quem comprar presente no Dia dos Namorados. Suspeito que o que as pessoas tanto busquem quando dizem que estão procurando um amor é a tão querida intimidade. Aquela coisa de querer dividir vontades, revelar segredos, contar coisas que você não contaria pra qualquer um. Intimidade é abrir a porta para o seu íntimo e deixar que o outro mergulhe nessas águas profundas e, muitas vezes, turvas.
O fato é que não é possível escolher os íntimos – eles simplesmente são.
Tem gente que força intimidade com os outros, como aquela pessoa que twitta o café da manhã diariamente, avisa quando vai tomar banho e – por que não? – posta uma foto de toalha pra a web ver. A intimidade forçada tenta ser aquela mesma, tão natural, que deixa a gente à vontade pra sair do banho de toalha na frente da prima. Mas ela jamais será. Acontece o mesmo com pessoas que se entitulam amigos íntimos de todo mundo mas que, na hora em que bate aquele desespero na madrugada, não têm ninguém para quem ligar. Afinal, só os íntimos ligam na madrugada para desabafar as dores do mundo em meio ao sono alheio.

Há também uma confusão quando o assunto é sexo – muita gente diz que sexo sem amor não é bom quando, na verdade, estavam se referindo à intimidade. Aquela mesmo que surge sem escolher a vítima. E então, reformulamos: sexo sem intimidade não é bom. Fica aquela coisa robótica, regada por uma ansiedade em agradar, por um esforço em encaixar o que não se encaixa. Mesmo com os corpos colados, existe um muro entre os dois que impede a entrega. No desespero de não saber o que fazer diante do artificial, os dois encenam uma cena patética, como o ator de teatro que sobre no palco pela primeira vez e, independente dos seus esforços, não convence ninguém de que está à vontade. Era pra todo mundo se emocionar com a história mas ela foi, na verdade, apenas e somente, uma dramatização.
Intimidade, inclusive, não depende de tempo. Você pode ser casado há 10 anos e não ser íntimo do outro. Agora, quando a intimidade existe, ela não deixa dúvidas. Impossível mascará-la.  Ela chega assim, sem pedir permissão e te faz abrir a vida para aquele estranho que conheceu há menos de duas horas – ele então, passa a saber de coisas que nem aquele colega de anos imagina. Ela faz os lábios se fundirem em um só e faz com que eles dancem em movimentos sincronizados, como o time que treinou há meses. Ela guia as mãos como se possuíssem GPS para a felicidade, solta as palavras como se não existissem tabus, libera o sorriso sincero que dispensa ensaios, torna a companhia mais importante que o programa e vangloria a conversa independente do conteúdo.
Na vida, precisamos mesmo de semelhantes, de cúmplices, de íntimos. Aqueles que te permitem jogar as máscaras, que gostam de você mesmo quando se é autêntica no limite. Aqueles que te fazem entender o real significado se ser escutada, que te explicam na prática que um olhar vale mais que mil palavras e que te lembram qual o verdadeiro sentido da palavra aconchego. Intimidade, inclusive, nos faz repensar no nosso vocabulário – quando se encontra alguém que lhe é íntimo, palavras como penetração, por exemplo, assumem outro significado – porque a sexual, pode-se fazer com quem quiser. Agora, penetrar no seu ser, é exclusividade de poucos.
Sorte daqueles que encontram os seus íntimos nas tantas ruas da vida.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

"Eu te amo" é coisa de bêbado.

Se um bêbado nunca te ofereceu uma dose sincera de “eu te amo”, sugiro que corra pro bar agora. É quando a vaidade e a audição dispensam água e se atracam em público, incitando um sorriso tímido, pseudo-humilde, em quem ouve. “Eu te amo”, a frase mais aguardada dos relacionamentos, é inflamável e sobe rapidinho. Quando amanhece, a gente descobre que encheu a cara de amor falsificado. Quem já aceitou um gole dessa frase, com bafo de bebida, reflete sobre o gosto de cabo de guarda-chuva que ela deixa na cabeça.
Pessoas descartam “eu te amo” pra qualquer um, além do santo. Não pensam que cada letra pode estufar a esperança de quem escuta. Quem já recolheu shots da frase e, no dia seguinte, teve de devolver, sabe como é transformar a vida de alguém em mais um drinque de open bar.
É como se as pessoas estivessem condicionadas a amar eternamente por algumas horas. Os romances estão parecendo balada em Las Vegas: aspire até a última gota, case com uma desconhecida sob a bênção de um cover do Elvis. Ame até o suspiro final. No dia seguinte, flashes fingidos.
Fica difícil dizer “eu te amo”, em dias de amnésia afetiva.




Pessoas soluçam esse amor pra se livrar do caos, que embebeda o corpo, e não esperam que alguém cure com três goles de água ou um susto. Quando “eu te amo” vaza, tudo o que elas menos precisam é que esse soluço passe. “Eu te amo” é texto que escapa, porque o peito ficou fraco pra engarrafar. Precisamos de alguém soluçando junto. Mas “eu te amo” é monólogo.
Se você foi o primeiro do relacionamento a virar o copo e dizer, aguente a ressaca. “Eu te amo” nem sempre desce redondo. A resposta pode se apresentar em uma pausa de vinte tropeços. Pode ser mais três saideiras. Pode ser copo quebrando. Pode ser “saúde” ou “obrigado”. Pode empapuçar.
Sabe o dia depois do porre? Aquele na companhia de refrigerante e voltar cedo e sozinha pra casa. Quando você bebe devagar, pra não doer amanhã. É que o medo faz. Fecha a sua conta no bar, pro ouvido parar de insistir. De chorinho, sobra a vontade de acreditar em “eu te amo” sem Engov e acordar dizendo e dizendo e dizendo, sem cambalear, sem enrolar a língua, dessa vez.


O dia em que entendi que o caminho é do lado de dentro.

Sempre questionei o significado de Deus nas nossas vidas. Quando criança, era induzida pelos meus pais, mesmo que com boas intenções, a frequentar a igreja católica. Fiz até primeira comunhão. Lembro-me claramente das aulas em que cada criança lia um trecho da bíblia e que depois ficávamos livres pra desenhar ou brincar de pega-pega no salão vazio. Meu maior medo era acabar o curso e ter que me confessar no dia da primeira comunhão. Fazia listas mentais dos meus pecados acumulados nos meus 11 anos de existência. Contei alguns deles pro padre – escondi a boneca da minha irmã, chupei uma bala que vi cair do bolso de um colega, dizia pra minha mãe que ia dormir, mas levantava de novo à meia-noite pra conectar a internet discada e pagar um pulso só. O padre ouviu tudo, com uma pitada de desinteresse, e me mandou rezar 2 ave-marias e 2 pai-nossos. Falou o mesmo pros meus colegas. Acho que tínhamos tido a mesma quantidade de pecados.
Comecei a faltar nas missas de domingo quando tive minha primeira luz de consciência para questionar o quanto daquilo tudo dito fazia algum sentido pra mim. Não entendia porque eu tinha que contar meus pecados para um homem só porque ele tinha estudado alguns anos para se tornar padre – e muito menos, o por que dele ter o direito de determinar o que eu deveria fazer para ser “perdoada”. Comecei também a questionar algumas supostas verdades escritas na Bíblia – um livro escrito por vários humanos num período de mais de 1.600 anos. Como lembrar das palavras de Jesus tantos anos depois? Também questionava como uma instituição que pregava o desprendimento material e exaltava outros valores do espírito, podia ter sede na cidade mais rica do mundo ou dizer que homossexualidade é pecado. Ao tentar tirar essas e tantas outras dúvidas, sempre ouvia uma resposta final padrão quando os argumentos se acabavam – porque Deus quer assim.
Me distanciei da igreja católica e me aproximei de outras religiões, sempre na busca de um direcionamento pra parte espiritual da vida. E em todas elas, encontrava sempre um rastro de manipulação mascarada, por trás das boas intenções. Na maioria das vezes em que tentava conversar sobre isso com seguidores de alguma delas, sempre me frustrava ao chegar no argumento final que sempre era jogado na roda – religião não se discute. Ora, porque não? Não se trata de convencer o outro a acreditar no que você acredita, mas sim de questionar os valores que as instituições religiosas agregam aos seus ensinamentos, na maioria das vezes achando uma forma de manipular as pessoas a se comportar ou pensar da forma que a instituição mais se beneficia. Isso acontece, porque os que engolem tudo que ouvem sem digerir a informação são mais facilmente manipulados, já que o conhecimento liberta e que a ignorância aprisiona.
Foi aí que percebi que havia algo muito errado nos conceitos ensinados – e que as religiões jamais ousariam nos contar. O Deus, que tanto procuramos, está do lado de dentro. Você pode buscá-lo na ioga, se mudando pra Nova York, nos templos, em tatuagens, na maconha – mas o caminho, como dizia Caio F, é in, não off. Nada adianta se não reconhecermos que, se fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, então somos todos Deuses. Somos apenas mais uma partícula dessa criação que faz com que tudo tenha um sentido. E hoje penso que o Deus que tanto buscamos (independentemente do nome que você decida dar a ele), está presente em tudo o que tem vida – todas as criaturas que andam, que rastejam, com correm, que voam, que respiram são igualmente criação do universo. Assim que reconhecemos que não somos donos da Terra mas que, em vez disso, a dividimos com todas as coisas vivas, então percebemos que devemos respeito até à barata que entra voando no seu quarto, pois cada criatura tem sua importância para que a vida gire.
Não existe forma melhor de agradecer e cultuar ao cosmos (que você pode chamar de Deus, se preferir) do que respeitar e contemplar a beleza da vida. Entrar debaixo de uma cachoeira e reconhecer o valor daquela água que passa pelo seu corpo e que limpa seu ser, é muito mais significativo do que rezar um terço inteiro pensando na lista de compras do supermercado. Respeitar a vespa que poliniza a árvore que mais tarde te dará frutos para comer, é saber reconhecer os presentes da vida e pode valer mais do que sentar na igreja por duas horas e ouvir um sermão vindo de um humano como você, te falando de um monte de coisas que não fazem sentido pra sua existência. Parar de trabalhar por um instante para cultuar o pôr-do-sol (ele mesmo, o astro rei, responsável por você estar vivo e poder estar lendo esse texto na tela do seu computador), é reconhecer como somos pequenos e frágeis diante da complexidade da vida e vale muito mais do que doar 10% do seu salário para que uma instituição construa uma igreja maior e mais bonita.
Sério.
Outro dia estava tomando café na padaria, e começaram a transmitir umas imagens lindas feitas pela equipe de uma base de um observatório solar naquelas TVs que veiculam propagandas e notícias. As imagens eram absolutamente incríveis, mas percebi que ninguém olhava para tela, pois estavam absortos em seus mistos-quentes e coxinhas. Fiquei com vontade de levantar do balcão, de deixar meu pão na chapa e meu pingado de lado e falar: Gente, olha esse pôr-do-sol, bora aplaudir. Desisti ao imaginar a reação das pessoas perguntando quem era essa louca. O mais engraçado (ou trágico) foi perceber que, instantes depois, mais da metade das pessoas olhava para a tela para acompanhar umas manchetes falando da vida dos famosos. Eles jamais entenderiam meus aplausos.




Conto isso para vocês sem a intenção de convencer ninguém a largar suas crenças, mas com a intenção de compartilhar (com quem se interessa) a conclusão simples porém valiosa, que as pessoas são levadas a buscar fora, algo que mora dentro delas. Quando erguemos a cabeça e nos atentamos aos sinais, percebemos quanto tempo passamos de olhos vendados. A verdade está disponível pra todos, mas só a enxergam aqueles que decidem tirar a venda dos olhos. O resto, segue vendado, achando que o preto é a única cor que existe no mundo.
Termino com mais um episódio que aconteceu na minha vida nos últimos dias – estava na varanda lendo e um beija-flor veio voando, parou a uns 2 metros de mim, olhou dentro dos meus olhos, e  foi embora. Quase caí pra trás. A maioria das pessoas diria que ele só estava lá procurando comida e que errou o caminho. No entanto, ninguém no mundo vai me convencer que isso não é apenas mais um sinal dentre os tantos que o universo nos manda diariamente – mas ficamos tão ocupados com nossas vidas tão importantes, que nem reparamos. Eu agradeci pela visita e pelo presente – ninguém mais no planeta viu esse beija-flor nesse segundo, fazendo essa dança – esse momento ficou materializado somente na minha memória. Enquanto ele pairava no ar e trocava um olhar profundo comigo, nossos corações bateram juntos. E se isso não é Deus se manifestando, então não faço ideia do que ele seja.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Triste

Ficar triste é sempre pela primeira vez. Já fiquei triste tantas vezes, mas nunca assim. Porque o “assim” de ficar triste é sempre pela primeira vez. Já fiquei mais triste do que estou agora, mas nunca tão triste. Porque o “tão” de ficar triste, quando é tristeza mesmo, é sempre arrebatador e assustador e é pela primeira vez. É sempre com o peito virgem e assustado e infantil que ficamos tristes. É sempre com cinco anos, com fome, nus, gelados, segundos antes de morrer de falta de sentido por ter nascido.
A tristeza é uma criança de rua com uma faca apontada pra falta de amor que o mundo ofereceu pra ela. Uma meleca no nariz que nenhuma mãe limpou se transformando nos olhos de um adulto assassino. A tristeza é um pedaço de vidro numa mãozinha pequena. A tristeza é um anjo que não arrumava ninguém pra poder agir como um anjo e foi ficando bem diabólico. A tristeza é ter que comer um risoto caro, com amigos felizes, quando só se quer vomitar no banheiro de casa, sozinha. E triste.
Eu quero vomitar tudo. A água, a saliva, a língua, o seco da garganta, a amígdala, o apartamento de milhões de metros quadrados vazios que virou o meu peito. Quero vomitar minha pele, meus olhos, meu fígado, meus horários, minhas listas de vontades. Eu quero tudo fora, tudo fora. Eu quero eu fora. Eu quero ir pra fora de onde está tão devastado e de onde eu tinha pintado tudo de azul pra te ver sentado bem no centro. No centro do meu peito, você, com a luz azul da minha esperança.
A tristeza me fez um milhão de vidas essa semana. Um milhão de almoços e jantares e projetos. Eu sorrindo, implorando às distrações que me levem, que façam remendos em meu peito perfurado pela violência do ar que não assovia mais os seus sons.
A tristeza me fez cortar o cabelo e pintar de loiro. E me fez aumentar os pesos do pilates. E me fez prometer alguma sedução para alguém que jamais receberá nada de mim. Não existe nada mais triste do que essas coisas de dar a volta por cima e essas coisas de tocar o barco e essas coisas de sacudir a poeira e essas coisas medonhas que a gente fala ou pensa ou ouve. A tristeza são frases vazias e feitas e tediosas saindo de bocas vazias e feitas e tediosas.
A tristeza me fez repartir o calmante no meio. Tomar um. E tomar o outro. Porque nem calmante eu to suportando ver pela metade. Que pelo menos no limbo da minha mente triste alguma coisa possa viver inteiramente.
A tristeza é uma parede, uma geladeira, um computador, um telefone, uma televisão, uma cama, um elevador, um carro. A tristeza são as ruas, os jornaleiros, as pessoas gordas atravessando, as pessoas magras atravessando. A tristeza é o cinza, o vermelho, o azul, o transparente. A tristeza é a próxima música, a próxima seta pra direita, a próxima seta pra esquerda. A tristeza é o ar que sai e o ar que entra. A tristeza é o segundo de ar que se perde e fica mais um tempo. A tristeza é dizer que são cinco dias, são seis dias, são sete dias. A tristeza é a nossa última vez juntos fazendo quinze dias, dezesseis dias, dezessete dias. A tristeza é o amor ter acabado sem ter acabado. É não saber o que é amor e não saber o que é acabar e não saber o que é não acabar. A tristeza só sabe que é triste e todo o resto ela só tenta saber, mas fica louca e desiste. A tristeza é de uma simplicidade que a torna ainda mais triste.
A tristeza é qualquer posição sentada ou em pé ou deitada. A tristeza é deitar e levantar. Tentar ou desistir carregam a mesma tristeza das coisas que não existem. Minha pele toca no pano, na água, na tela, uma mão toca na outra. Todos os toques são tristes. Todas as posições são tristes. Amanhã será triste, ontem foi triste. Hoje é o dia mais triste do mundo.
É porque eu tenho medo de dirigir até o Morumbi no escuro? É porque eu uso pijama feio pra dormir? É porque eu sou egoísta e louca e tenho um dente torto? É porque eu ria de você e ria das suas coisas e ria das suas músicas e ria de nervoso porque eu gostava tanto de você que odiava você? É porque eu criei sete mil muros pra receber alguém mas queria esmurrar até sangrar o seu único muro como se você também não fosse humano? Ou é só porque é assim mesmo? Assim: finito, simples e triste demais.
Hoje elegi o mais triste de tudo. É o banquinho que guardava a sua bolsa de carteiro e que não guarda mais nada. Ele agora é só o que era mesmo pra ser: um banquinho. Limpo, solitário, imponente, em sua nobre função de banquinho.
Sua triste, desgraçada, branca, idiota e livre função de banquinho.

Coragem - Quando as palavras dos outros se tornam as suas.

Texto de Tati Bernardi (óbvio)!

Se meu coração não se emociona mais com a presença dele, fiquei me perguntando o que eu estava fazendo ali.
Se não sonho mais, não planejo mais, não desejo mais, não espero mais nada, o que eu estava fazendo ali?
Não te amo mais, queria dizer a ele, pela primeira vez, sem esperar que ele sofresse com isso. Sempre quis que ele sofresse com esse dia. Mas justamente porque eu não o amo mais, nem quero mais que ele sofra. Aliás, não quero mais nada. Só ir embora.
Claro que sobrou um carinho, uma amizade, uma graça. Mas tudo aquilo que era gigantesco, tudo aquilo que parecia ser maior do que eu mesma, que me soterrava, que me transportava pra outra realidade...tinha acabado. Então, por quê?
Quero namorar esse homem? Não. Quero casar, ter filhos, envelhecer ao lado dele? Não mais. Nunca mais. Quero dormir com ele, ainda que daquele jeito errado em que minha solidão procura um abraço e a solidão dele procura sei lá eu o quê? Não. Quero reviver uma memória pra me sentir viva, emprestar uma alegria pura do passado? Não, tô fora de continuar sempre no mesmo lugar, me roubando minhas próprias histórias.
Quero lamentar a falta de um beijo inteiro, um abraço de verdade, um carinho sem medo e uma atenção entregue sem nenhum egoísmo? Não. Não quero mais mudar ou fantasiar ninguém. Deixa o mundo ser como é. Deixa ele ser como ele é.
O que eu queria, que era jogar uma conversa fora com uma pessoa que me conhece tão bem e há tantos anos, eu já tinha conseguido. Matar o tempo, rir da alma. E só. Coisa de no máximo uma hora. Mas eu já estava lá há duas.
Quando ele finalmente parou de falar e a minha cabeça parou de gritar, o silêncio me contou um segredo que há muito tempo eu já desconfiava: é preciso coragem pra sair do automático.
Quando minha mãe briga comigo, mesmo ela sendo uma senhorinha fofa e eu tendo o dobro do tamanho dela, sinto uma espécie de medo descabido e antigo, como se eu ainda fosse aquele menininha de maria-chiquinha. É o sininho do Pavlov, que fazia o cachorro babar por comida mesmo que não estivesse mais com fome. A mente é automática, viciada, comandada, acostumada.
Quando entro em um avião, mesmo eu tendo mais de trinta anos nas costas e milhas acumuladas de muitas viagens, minha mente insiste em me mandar lembranças da mesma menina de maria-chiquinha, que tinha medo de ficar longe da mãe, que passava mal longe de casa, que odiava lugares fechados e altos.
E é por isso que quando ele, a pessoa que eu mais amei no mundo (amei sem os bloqueios e sem a amargura que veio depois de tanto amor) me pede pra ficar, eu fico. Se alguma química do meu cérebro obedeceu aquela voz por anos, por que haveria de parar de obedecer agora?
Mas ontem, quando finalmente peguei minha bolsa e fui embora, senti um alivio imenso e novo. E combinei que meus pensamentos condicionados não mandam mais nada. Nadinha. Chega de ser comandada pela parte mais sem alma da minha existência.
Ainda que encarar um coração vazio seja mais assustador do que obedecer à velhos padrões, o prazer da coragem é sempre muito maior que qualquer susto.



Cadê meu jardim? - Alexandre Nero

Meu sonho...

Cliquem no link abaixo e se apaixone... Ai meu coraçãozinho...

Cadê meu Jardim - Alexandre Nero


'Estava onde o suicida esteve', diz afegão de foto chocante em atentado.

Li essa matéria na Globo.com e me aterrorizei. Não sei porquê, mas quero compartilhar com vocês essa reportagem...


Fotógrafo registrou menina gritando entre parentes mortos; imagem é forte.
Massoud Hossaini saiu ferido de atentado que deixou ao menos 70 mortos.

 

Uma fotografia tirada por Massoud Hossaini de uma menina afegã de pé em meio a uma pilha de corpos capturou a imagem da devastação deixada imediatamente após um ataque suicida contra um santuário xiita em Cabul, no Afeganistão, na semana passada.
O fotógrafo da AFP, de 30 anos de idade, estava a alguns metros de distância quando a bomba explodiu na última terça-feira (6), deixando ao menos 70 mortos. A imagem da menina Tarana, de 12 anos, gritando em meio aos corpos ofereceu uma visão clara da devastação, e foi capa dos jornais americanos "The New York Times", "The Washington Post" e "The Wall Street Journal".

Hossaini descreveu o que aconteceu e o que significa ser um fotógrafo afegão trabalhando em seu país destruído pela guerra. Lei o relato abaixo.
"Eu estava checando a minha câmera quando de repente houve uma explosão enorme. Por um momento não tive consciência de nada, só senti a onda da explosão e a dor em meu corpo. Joguei-me no chão.
Vi um monte de gente correndo no sentido oposto à fumaça. Sentei-me e vi que minha mão estava sangrando, mas não sentia dor.
É meu trabalho saber o que está acontecendo, então corri na direção oposta de toda a gente.
Quando a fumaça baixou, vi que eu estava de pé no meio de um círculo de cadáveres, amontoados, um em cima do outro. Eu estava exatamente no lugar em que o suicida esteve.
Fiquei em estado choque. Não sabia o que fazer. Então comecei a clicar. Sabia que estava chorando. Foi muito estranho chorar, nunca tinha reagido daquela forma, antes.
Não ajudei ninguém, porque não pude, estava realmente em choque. Sabia que precisava cobrir aquele horror, registrar tudo, toda a dor, as pessoas correndo, chorando, batendo no peito e gritando: 'morte à Al-Qaeda, morte ao Talibã!'.
Virei-me para a direita e vi a menina. Quando Tarana se deu conta do que tinha acontecido a seu irmão, primos, tios, mãe, avó, todas as pessoas ao redor dela, começou a gritar.
Nas minhas fotos, ela estava apenas gritando. Essa reação de choque era tudo o que eu queria captar.
(Nesse momento, chegou um grupo de jovens que começou a atacar os jornalistas no local do atentado.)
Eles me tiraram do local, mas de alguma forma eu consegui voltar e só me lembro quando as pessoas estavam carregando os corpos e eu tentei capturar aquele momento.
Eu queria apenas refletir a dor real de todos ali, para qualquer pessoa que visse minhas fotos. Não importava se afegãos, americanos, muçulmanos, cristãos, ou outros quaisquer. Só queria que soubessem o que meu povo estava sentindo."
Senti 100% tudo. Estive no local antes, durante e depois [do atentado], e fiquei ferido. Foi uma experiência importante.
Na primeira e segunda noite, tive dificuldade para dormir. Sempre que fechava os olhos, lembrava da cena, me perguntando o que mais eu poderia ter feito por aquelas pessoas, por que não ajudei ninguém?
No terceiro dia, todas essas emoções na minha cabeça acabaram porque eu descobri que a foto tinha sido publicada em todo lugar. Vi que tinha feito uma grande cobertura que tinha tido efeito importante. Graças a Deus eu estava lá e consegui tirar uma foto e enviá-la o mais rápido que consegui."

E aí?