domingo, 25 de outubro de 2015

O dia D

Nunca achei que esse dia chegaria. Na verdade nunca fui capaz de me achar... Capaz.
Eu via em filmes, na vida real mas não na minha vida, claro.
Mas eu fui surpreendida.
Me ofereceram algo que eu via oferecerem aos outros, mas nunca a mim.
Me fizeram chorar. Me fizeram sentir uma coisa estranha, umas sensações que não tenho como explicar.
Acho que a ficha ainda não caiu.
Acho que quando cair vou entrar em prantos.
Só consigo pensar em "não pensar em nada."
Enfim, me tornei um porta jóia.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Um amor, por favor

Estou eu aqui deitada em minha cama pensando na máxima mais ouvida nos últimos tempos: nada como um novo amor para curar o que um antigo feriu.
Sempre achei isso meio clichê e nunca apoiei isso, essa ideia. Até neste momento, quando Isabela Taviani danou-se a cantarolar no meu rádio, é algo mais ou menos do tipo "eu e você podia ser/mas o tempo mudou a direção". Fato que Isabela já cantou pra mim e por mim, inúmeras vezes. Ri e chorei com suas letras, dediquei cada uma delas, fiz delas meu arrimo, meu chão para que eu pudesse passar. Pela janela do ônibus a ouvia cantar e, sem saber do meu futuro, me acabava em lágrimas. Daquelas bem doloridas, cheias de angustias... E não é que todas elas secaram? Eu achava difícil, mas secaram. Todas. Hoje ouço as canções da Isabela e lembro com o maior carinho do mundo daquela fase, daquela pessoa, daquele amor. Não é porque acabou não era amor. Era sim e era verdadeiro e dedicado.
Hoje me limito a não ouvir certas intérpretes, pois algumas ainda me trazem lembranças que me entristecem, sabe? Elis Regina é uma delas. Ainda não consigo ouvir sua voz sem trazer à tona toda uma história por mais que seu fim ja tenha chegado ha tempos...
Talvez uma canção nos cure da outra também, eu acho. Assim como Elis me curou da Isabela, sei que em breve alguém me curará da Elis e eu poderei ouvi-la saudosamente e pensando o quanto amei. Se fui amada? Me restam duvidas, muitas, mas a respeito das canções eu nunca as terei.
E não mais da frase tão clichê.
Quero ser curada do amor pelo amor para o resto da minha vida.

Hoje meu hino é Socorro da Gal Costa.

Volto pra dizer que o disco mudou de lado, que houve troca do CD e que um novo amor me trouxe uma nova canção.

Me aguardem.

domingo, 8 de março de 2015

Promessa

Eu prometi que nunca mais choraria, prometi à mim mesma e aos meus pensamentos que não derramaria mais nenhuma lágrima. Sim, eu prometi, mas hoje foi inevitável não deixar uma lágrima rolar. Através do vidro do carro eu via pessoas e me perguntava o que elas estariam sentindo naquele exato momento, pois eu estava triste. Não seria justo eu ser triste sozinha naquela hora. Será que até nessas horas eu serei sozinha?
Deixei lágrimas caírem e elas eram pesadas, cheias de amargura, decepção, lotadas de sonhos destruídos por mesquinha e egoísmo. Não meus.
Não é fácil às vezes, confesso.
E, às vezes, me vejo tão triste. Hoje.
Atravessei aquela ponte e cada pedaço dela havia algo, algo que me fazia chorar e me encher de questionamentos.
Me diga como você pode viver indo embora?
Talvez você seja feliz sem saber.

É isso.
Só isso.
Tudo isso.

terça-feira, 3 de março de 2015

SOBRE O MEDO DE AMAR DE NOVO

Olhando assim de longe, com olhos mirando o sorriso, a leveza dos passos acompanhando as horas, a delicadeza ao esconder a franja atrás da orelha, mal se sabe da bagagem muitas vezes pesada, que nos acompanha na travessia. O amor costuma deixar rastros, pegadas, marcas duras que sobrecarregam a singela malinha reformada em vivos tons florais que levamos no entrelaçar dos dedos, ao longo da vida. A gente pega tudo aquilo que um dia doeu, machucou, feriu, negligenciou, e coloca ali, naquela mala cheia de flores radiantes, que é pra lembrar que até na dor se consegue algum perfume.
Nos bares, na balada, no cinema, no jantar com as amigas, lá está ela, nossa doce pintura floral recheada de medos, receios, lágrimas, despedidas, resquícios de chegada, beijos que selaram partidas, a nos lembrar aquilo que os grandes poetas já previam, o amor pode vir  bem de mansinho a nos dilacerar de novo.
Penso nos passarinhos que nos cortejam com a sinfonia do amanhecer mesmo ainda de janelas fechadas, pois sabem que o dia chega para todos, mesmo que a noite seja um pouco mais longa para alguns.
E como as melhores coisas da vida, surgem assim, em acasos afortunados, a mocinha da padaria retribui seu sorriso na fila do pão, o cara do elevador resolve te auxiliar com os milhões de papéis ou simplesmente aquele gato/a da rede social da sua irmã te envia uma solicitação de amizade acompanhada de um convite para o jantar de quinta feira. É o amor pedindo passagem. É o amor com uma pá, uma vassoura e uma chave pra destrancar o cadeado dessa bagagem tão friamente lacrada a cada ida e vinda.
A mão se estende acompanhada de um inquestionável sorriso no olhar, mas logo o braço recua. É que dá um medo danado se apaixonar de novo. No meio de um monte de cacos, estilhaços, mágoas, dores, aparece alguém com uma “super cola”, um sorriso lindo e diz: levanta menina! Um milhão de decisões equivocadas, atitudes impensadas e impulsos desconexos passam pela nossa cabeça e você hesita. Hesita, porque cicatriz de amor é uma das coisas mais difíceis de se carregar na bagagem. Não tem roupa, cachecol, colar ou armadura que esconda a marca eterna daquilo que não ficou. E a iminência do amor, traz também muitas vezes, o presságio de uma nova ferida.
Daí a gente olha para o lado e tem a amiga traída pelo namorado, o rolo inconsistente da mesa ao lado, o beijo sem sentimento do cara balada, todos os sms não correspondidos e pensa: não seria emocionalmente mais prudente caminhar sozinha?!
De fato seria. Mas ai tem também aquela amiga radiante com os preparativos do casamento, o pedido inusitado de namoro de dois desconhecidos no corredor da faculdade, a troca de olhares amorosos do casal de amigos no bar, e todo o medo que motivava o receio some, como num doce passo de mágica. Os pequenos requintes de delicadeza como o gorjeio de um bem-te-vi pela manhã, nos fazem lembrar a parte mais importante do amor: aquela que não dói.
É verdade o que dizem por ai: amor é coisa de gente corajosa, amor é coisa de dois. Talvez por isso seja tão absurdamente difícil criar vínculos com alguém. Não basta haver oportunidade, tem que existir troca, predisposição. Tem que existir parceria. Aquela que você troca sua bagagem pela do outro por livre arbítrio e juntos, libertam para o mundo todas as pétalas mortas, daquela flor, que um dia foi um suave buquê. Ao invés de bagagens, mãos dadas. Ao invés de peso, leveza. O amor antes um pássaro engaiolado, agora, permite-se ser livre.
Penso nos passarinhos da janela, na saudação do bem-te-vi, em primeiras, segundas e terceiras chances, penso em passarinhar.
Se o passarinho vier: dê passagem, ofereça sua bagagem e abra os caminhos. Porque amor de verdade se a gente deixar, muda a vida da gente. Passarinhe, aninhe, ame por aí…

DD

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Socorro - Gal Costa

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Era uma vez

Queria te dizer que no início eu fiquei preocupada com a temperatura.

Tava gelado demais, cor azul-necrotério.

Parecia qualquer coisa sem vida, sem força. E eu bati, injetei adrenalina e nada do coração bater de novo.

Fiquei pensando se não era culpa das lascas que a gente tinha arrancado dele com precisão cirúrgica, nos últimos tempos.

Pensei no dia em que descobri que meu primeiro amor tinha arrancado uma florzinha do jardim lá da escola e dado a outra menina, no dia que meus pais se separaram e no dia que eu achei revista de mulher pelada na tua pasta de couro.

Pensei se não era porque tinha chegado a hora de parar de pulsar mesmo, se não era dos anos, se de repente não era isso mesmo, do coração parar de acelerar. Mas de tanto pensar, eu vi que não era nada disso.

Era só a tua parte nele que tinha infartado.

Por isso eu vim te dizer que a tua primeira prateleira está vazia, porque, se já não cabemos mais um no sonho do outro, a minha roupa não pode caber no teu armário, aliás, sempre quis te dizer que esse espaço que você separou pra mim era ridículo. Na vida, no roupeiro e no coração.

Na geladeira tem a cerveja toda daquele engradado, geladinha.

Sim, porque eu também vim dizer que não vai ter mais eu vestindo tuas camisetas e arrastando minhas meias 3/4 até a cozinha, depois da aposta que eu sempre perco, tendo que trazer tua bebida.

Vim te dizer que eu cansei desse amor intercalado com ódio.

E eu tô tentando alimentar raiva tua do início da playlist, só até chegar o Tom, com Chega de Saudade, te perdoando toda vez, com Samba da Volta no repeat.

A gente não se reconhece mais, e eu não atendo ligações, não aceito doces, nem divido histórias com estranhos.

Então, como naquele dia que você não teve coragem de me proteger do cara que meteu a mão na minha coxa, tendo euzinha que meter a minha mão na cara dele, eu tô aqui de novo.

Fazendo o serviço sujo de encerrar esse nosso…não sei o nome.

Bom, quero avisar que só tô levando o que eu trouxe. Roupas, vaso com flor, alegria e vida.

Mas tem cerveja na geladeira e a internet tá paga.

Divirta-se campeão!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quando cresci flor

Eu te guardei na memória. Eu quis nunca te esquecer para não correr o risco de me perder de mim novamente. E eu não esqueci. Me lembro quando você em toda sua contradição foi morar em outro abraço. Lembro do abandono, da traição, da sua escolha e do meu coração quebrado. Nunca pude voltar para o seu abraço, nunca pude te perguntar o caminho e nunca fui a mesma novamente. Olhei muitas vezes para trás, na dúvida, te dando a alternativa de me buscar, me querer, me consertar. E você nunca veio. Então eu te observava de longe e com o tempo já não reconhecia meu amor em você. Quem eu lembrava já não condizia com quem eu via. Achei que não iria aguentar. Achei  que o vazio duraria para sempre. Porém aprendi a me preencher. Me preenchi de mim mesma, de vida, de amor, de experiência, de outros afetos. Me permiti ser. E me fui. E me sou. Você me deixou semente e eu cresci flor. Cresci flor e aprendi a lidar com os espinhos. Descobri que me perdendo de você, eu poderia me encontrar. E me encontrei. E me conheci. E me descobri tão cheia de outras coisas, outras cores, outros sentimentos, outras alegrias que já estava vazia de você.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Vazios

Vazio não tem sobrenome, ele se chama apenas vazio. Ele não tem tamanho certo, mas não importa sua medida, ele dilacera. O vazio não tem morada certa, uma hora ele esta aqui, outra ali; ele é unipresente e está na vida de todo mundo.
Talvez ele não quisesse ser dolorido assim, talvez ele não quisesse ser visto como uma coisa ruim. E se ele também se sente triste, por ser vazio? Será que ele busca solução para seus tantos defeitos? Poucas pessoas, ou quase nenhuma, gostam de se sentir vazias as vezes, mas ser vazio ou estar vazio é algo que dói. Como folha ao vento, sem referências, sem caminho, sem sonhos, sem certezas. Quando estamos vazios somos levados pelo vento, pelo tempo, pelas circunstâncias, por tudo, não temos raízes fincadas em canto nenhum. Somos apenas... Nada.
Vazios. V A Z I O S.
Ele não tem hora certa para aparecer, nem forma regular de se apresentar. Ele acontece, simples. Vem com um turbilhão de coisas e no final não nos sobra nada para ficar. Dá com uma mão e tira com a outra.
Um ser vazio não é nada. Nem ser, porque ser já não tem tanta explicação.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Feliz 2015

Então, feliz 2015.

Feliz mesmo.
Tem que ser, e procuramos as mais diversas formas de fazer tudo diferente. É sempre a mesma coisa... Prometemos novos pensamentos e atitudes e esperamos a solidariedade de Deus. Tô mentindo?
Encaramos o tal "ano novo" como mais uma chance para fazer tudo dar certo. Pensamos que ganhamos mais 365 dias para lutar e vencer, mas perdi as contas de quantas vezes me frustrei... Por isso que a partir desse novo ano, farei diferente. Não esperarei nada daquilo que eu não tenha lutado para ter e mesmo que eu venha a lutar e mesmo assim não obter, não vou me culpar. Tudo tem um motivo.
Entrar o ano mais leve, com menos cobrança, menos "eu vou", talvez assim as coisas comecem a acontecer. O que vem rápido e fácil, vai rápido e fácil também. Disso eu sei muito bem.

Então, que neste ano tudo seja da forma que tem que ser, com as pessoas que tem que ser, no lugar que tem que ser, e Deus, contamos com seu singelo empurrãozinho, ok?