Mudar é uma coisa legal, dependendo do ponto de vista de cada um. Você muda os ares, os cômodos, os rostos, a logística, tudo, mas sempre fica um pouco de você nos lugares. Chega um ponto que você precisa parar e respirar, e tentar achar onde ficou aquela parte de você. Atualmente procuro saber aonde deixei aquela Renata meiga, doce, carinhosa e paciente. Volto minha memória para tantos lugares que morei e não consigo achar. Vasculho quartos, salas, áreas de serviço e nada... Desisto. Encaixotando sonhos, planos, e pesadelos em caixas pesadas para tomar um novo rumo novamente, mas dessa vez estou fazendo tudo sozinha, se não sozinha, tenho pago um bom preço para que alguém me faça favores. Justo, as pessoas precisam trabalhar e eu preciso da mão de obra delas, ainda que não barata.
Cada adeus ainda me é dolorido, alguns mais outros nem tanto. Este de agora, não. Na verdade está sendo um alívio, mas trabalhoso. Mudar dá trabalho, cansa, desgasta e não é só o físico, o emocional também vai para a casa do chapéu.
Entrar na casa nova dá uma esperança de que as coisas podem melhorar, mas o silêncio vem te lembrar que você está sozinha e que ele será seu único companheiro, ele e seu gato fiel. Você finge não se importar, pois comprou um micro system no Black Friday e vai poder ouvir som até seus tímpanos estourarem. Mas será que isso vai me bastar? Não sei, não vou me precipitar, até porque vou estar perto da praia, posso ir lá e bater um "lero" com Iemanjá, né? E quem sabe por esses calçadões praianos eu não reencontre ou encontre alguém? Sei lá, ando supondo muita coisa e dormindo com meus pés frios, melhor parar.
Mas esse muda-muda deve parar um dia, eu tenho fé, sabia? Nem que esse fim seja lá em SP, pois sei que lá ninguém vai pedir que eu saia de casa, lá não vão se esquecer de mim e nem inventar inverdades sobre mim e, assim, me deixar sem ter onde eu morar. Lá é minha casa, minha verdadeira casa. Por mais que aqui eu pague em dia meus aluguéis, minhas taxas e tudo, nada do que pago é meu. Nada. E tudo que é solitário me incomoda, me deixa triste. Se bem que isso é algo normal, não é?
Enfim, preparando meu psicológico para mais essa nova etapa. Sozinha e... sozinha. Feliz.
Muda-muda, quase um roda-roda Jequiti, mas com um final diferente.
Cigana obliqua.
Nômade.
Meu final vai ser diferente do que espero, pois o que espero é muito inferior do que Deus deseja.
Nada diferente do que eu já passei, mas as sensações sempre serão. Faço as mesmas coisas quase sempre, mas mudo as intensidades, ou a vida não teria a menor graça.
E siga-me os bons!

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